DRAMATURGIA

A Rede Globo possui em sua programação cinco horários destinados a telenovelas: o primeiro é o “Vale a Pena Ver de Novo”, exibido na faixa da tarde e que reapresenta telenovelas de sucesso. Logo após, segue o horário “das seis”, que apresenta tramas com um enredo simples e romântico, sendo de época e/ou regional. Já o “das sete” costuma possuir folhetins mais cômicos, enquanto o “das nove” é o principal horário da teledramaturgia brasileira, ou ao menos, o de maior repercussão. E, finalmente, o horário “das onze” é o mais tardio e, geralmente, apresenta obras mais pesadas e com temas fortes. Este último é o único na qual as novelas não são exibidas em sequência; pausas ocorrem entre uma produção e outra. À parte disso, a emissora também produz minisséries.

O primeiro horário criado para novelas pela TV Globo foi às 22h, com a novela “Ilusões Perdidas”, de Enia Petri, em janeiro de 1967. A faixa esteve no ar sem grandes interrupções até março de 1981, quando “Sinal de Alerta”, de Dias Gomes, foi finalizada. Quatro anos depois, a Globo fez sua primeira tentativa de reativar a faixa com “Eu Prometo”, a última novela de Janete Clair. Seis anos depois, a segunda tentativa: “Araponga”, de Dias Gomes, não conseguiu trazer a audiência e a repercussão almejadas, e a faixa foi definitivamente finalizada em março de 1991, quando passou a ser dedicada para a exibição de filmes e séries.

Somente em 2013 a Globo decidiu reativar a faixa, com um diferencial: as novelas seriam exibidas às 23h15, e não às 22h30 como anteriormente. Além de serem produções mais curtas, a proposta inicial é que seja adaptada uma novela de sucesso por ano. “O Astro”, original de Janete Clair e adaptada por Alcides Nogueira e Geraldo Carneiro, reativou o horário em julho daquele ano, trazendo de volta à emissora a audiência e o prestígio há muito almejados.

A maior telenovela já exibida na faixa foi “A Rainha Louca”, de Glória Magadan, cujos 215 capítulos exibidos entre 21 de outubro de 1968 e 15 de agosto de 1969 ainda não foram superados. A telenovela mais curta do horário (e de toda a história da TV Globo) foi “Marina”, escrita por Leonardo de Castro, com 15 capítulos, entre 17 de abril e 5 de maio de 1967.

A primeira novela exibida em cores na faixa foi “O Bem-Amado”, em 1975. “O Astro” foi a primeira a ser exibida em alta definição. A gravação/exibição em 24 fps começou com o remake de “Gabriela”, em junho de 2014.

Em agosto de 1967, foi lançado o segundo horário de novelas: às 19 horas, com “Rosinha do Sobrado”, de Moysés Weltman – autor responsável pelas duas novelas posteriores, “A Moreninha” e “Padre Tião”.

Tanto em quantidade de capítulos quanto em período de exibição a maior telenovela já exibida pela emissora na faixa das 19h foi “A Grande Mentira”, de Hedy Maia, cujos 341 capítulos exibidos entre 25 de maio de 1970 e 25 de junho de 1971 ainda não foram superados. A telenovela mais curta do horário foi “A Moreninha”, escrita por Moysés Weltman, com 35 capítulos, 23 de outubro e 8 de dezembro de 1967.

A faixa de novelas das sete foi a última que passou a ser exibida em cores, com “Locomotivas”, em fevereiro de 1979, considerando-se o fato de que sua antecessora, “Estúpido Cupido”, teve os dois últimos capítulos em cores. A exibição em alta definição começou com o remake de “Ti Ti Ti”, em julho de 2012. A gravação/exibição em 24 fps começou com “Cheias de Charme”, em abril de 2014.

Em dezembro de 1967, teve início o popular e consagrado horário das 21 horas na Globo, com “O Ébrio”, escrita pelos irmãos José e Heloísa Castellar. No entanto, a popularidade só foi alcançada a partir da quarta produção, com “Anastácia, a Mulher sem Destino”, de Emiliano Queiroz e escrita por Janete Clair.

A telenovela de maior duração já exibida na faixa foi “Irmãos Coragem”, cujos 328 capítulos exibidos entre 29 de maio de 1972 e 15 de junho de 1973 ainda não foram superados. A telenovela foi escrita pela dramaturga Janete Clair, que detém ainda o recorde de autora da maior quantidade de “novelas das nove” – dezesseis, sendo que quinze foram exclusivamente escritas por ela.

A primeira novela exibida em cores foi “Pecado Capital”, em novembro de 1977. A exibição em alta definição começou com “Duas Caras”, em setembro de 2009. A gravação/exibição em 24 fps começou com “Avenida Brasil”, em março de 2014.

Em agosto 1973, o quarto horário de novelas foi criado: às 18 horas, com “Meu Pedacinho de Chão”, de Benedito Ruy Barbosa. A novela foi exibida simultaneamente em parceria com a TV Cultura. Três novelas foram exibidas em sequência, e então houve uma interrupção de dois anos. Em 1977 a faixa foi recriada com um objetivo específico: apresentar adaptações da literatura brasileira, começando com “Helena”, inspirada no romance homônimo de Machado de Assis e assim prosseguindo por mais 20 telenovelas, até 1984, com a exibição de “O Homem Proibido”, escrita por Teixeira Filho. De 1984 em diante, as adaptações da literatura brasileira foram substituídas por produções originais e remakes (novas produções de telenovelas antigas), estes últimos a partir do final da década de 1990. Após a retomada da faixa de telenovelas das seis em 1977, houve apenas uma interrupção de três meses entre 1988 e 1989, entre “Sinhá Moça” e “Direito de Amar”.

Na emissora, a faixa de telenovelas das seis foi a segunda a ter produções em cores, com “Senhora”, em junho de 1977, depois das novelas das dez e antes das novelas das nove. A alta definição começou com “Araguaia”, em setembro de 2012. A gravação/exibição em 24 fps começou com “Cordel Encantado”, em abril de 2013, porém testada nos primeiros capítulos de “Sinhá Moça”, em março de 2008. A gravação/exibição em 60 fps voltará a ser utilizada em agosto de 2016, a partir de “Boogie Oogie”.

Somente em janeiro de 2000 a Globo apresentou uma novidade em relação às novelas em sua programação. Desta vez, para a faixa vespertina, criou o “Vale a Pena Ver de Novo”, sessão destinada a reapresentar telenovelas de sucesso. A primeira novela escolhida para reprise foi “Vale Tudo”, de Gilberto Braga, exibida originalmente em 1990. As tramas são levadas ao ar editadas e reduzidas em relação à sua exibição original – “Vale Tudo”, por exemplo, foi apresentada em 204 capítulos originalmente; 137 na reprise.

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