Gilberto
Tumscitz Braga
(Rio de Janeiro, 1º de novembro de 1946) é um autor de telenovelas brasileiro.
Cursou a faculdade de Letras na Pontifícia Universidade Católica do Rio de
Janeiro e começou a trabalhar dando aulas na Aliança Francesa. Posteriormente,
trabalhou como crítico de teatro e cinema do jornal O Globo.
Foi contratado pela TV Globo em 1972, com uma
adaptação de “A Dama das Camélias”,
de Alexandre Dumas Filho, para um “Caso Especial” protagonizado por Glória Menezes, que foi levado ao ar
sob a direção de Walter Avancini e a
supervisão de Oduvaldo Vianna Filho.
A partir daí, escreveu mais Casos Especiais, dentre os quais destaca-se “As Praias Desertas”, protagonizado por Dina Sfat, Yoná Magalhães e Juca de
Oliveira.
Sua primeira experiência em telenovela foi
com “Corrida do Ouro”, em 1976 no
horário das 19h, quando dividiu a autoria com Lauro César Muniz. Criada a partir de uma notícia de jornal, a
trama central era conduzida por cinco personagens femininos, protagonizados por
Aracy Balabanian, Sandra Bréa, Renata Sorrah, Maria Luiza
Castelli e Célia Biar, que
precisavam cumprir determinadas tarefas para receber uma herança. A novelista Janete Clair participou informalmente
do desenvolvimento da trama ao dar dicas a respeito de um determinado núcleo
para os autores.
Em 1977, Gilberto Braga trabalhou na
adaptação do romance “Helena”, de Machado de Assis. Ainda exibida em
preto e branco, “Helena” iniciou as
adaptações no horário das 18h na Globo, sendo a primeira novela inspirada em um
clássico da literatura brasileira. Foi uma das novelas mais curtas da emissora,
com 20 capítulos.
Em seguida, Gilberto Braga dedicou-se à
adaptação de “Senhora”, de José de Alencar, para o mesmo horário. Esta
novela foi exibida em cores e em oitenta capítulos, sessenta a mais que a
anterior.
Em agosto de 1977, Gilberto Braga assumiu a
autoria da novela “Bravo!”, escrita
inicialmente por Janete Clair. A
autora afastou-se da trama por volta da escrita do capítulo 91 para trabalhar
na elaboração de “Pecado Capital”,
novela que substituiu “Roque Santeiro”,
censurada no dia de estreia. “Bravo!”
retratou o universo da música clássica, mostrando a trajetória do personagem Clóvis Di Lorenzo, vivido por Carlos Alberto, até tornar-se maestro.
A novela teve a direção de Fabio Sabag
e Reynaldo Boury e foi exibida no
horário das 19h. Gilberto Braga escreveu 106 dos 197 capítulos originais da
trama. “Senhora” já estava
completamente roteirizada quando ele foi convocado para substituir Clair.
Em outubro de 1978, Gilberto Braga escreveu
seu primeiro grande sucesso: “Escrava
Isaura”. Adaptada do romance de Bernardo
Guimarães, a história se baseava a luta pela libertação dos escravos no
Brasil do século XIX. A novela é um dos maiores produtos de exportação da Rede
Globo. Na China, teve grande repercussão e Lucélia
Santos, que protagonizou a novela, recebeu o Prêmio Águia de Ouro por sua atuação. Foi a primeira vez que uma
atriz estrangeira recebeu uma homenagem naquele país.
Em 1979, Gilberto Braga escreveu “Dona Xepa”, inspirada na peça teatral
homônima de Pedro Bloch.
Protagonizada por Yara Cortes, a
trama trazia a história de uma feirante que é abandonada pelo marido e cria
sozinha dois filhos, vividos por Reinaldo
Gonzaga e Nívea Maria. Os dois
conseguem ascender socialmente, só que sentem vergonha da mãe. A novela
registrou, na época, a melhor audiência no horário das 18h, abrindo a porta
para o autor ser guiado ao horário das 21h.
No ano seguinte, estreando no horário nobre,
Gilberto Braga escreveu um dos seus maiores sucessos: “Dancin’ Days”. Criada a partir de um tema sugerido por Janete Clair, a novela foi
protagonizada por Sonia Braga e Joana Fomm, e trouxe a febre das
discotecas para o Brasil. A novela foi uma crônica de costumes urbana centrada
na rivalidade entre duas irmãs. “Dancin’
Days” atingiu altos índices de audiência e ganhou uma reportagem na revista
norte-americana Newsweek, em novembro de 1980, que destacava a sua influência
nos modismos.
Em 1982, Gilberto Braga escreveu “Água Viva”, que contou com a coautoria
de Manoel Carlos a partir do capítulo
57. A novela mostrava a história de dois irmãos, Miguel e Nélson Fragonard,
vividos por Raul Cortez e Reginaldo Faria, que disputam o amor da
mesma mulher, Lígia, interpretada por Betty
Faria.
No ano seguinte, abordando o tema do poder e
da ambição, Gilberto Braga escreveu “Brilhante”
(1983), que teve como mote a exploração e o comércio de pedras preciosas e
trouxe Vera Fisher como
protagonista. O autor contou com a colaboração de Euclydes Marinho, e de Leonor
Bassères, marcando o início de uma grande parceria.
Leonor
Bassères
retornou aos trabalhos com Gilberto Braga já em sua novela seguinte: “Louco Amor” (1985), cuja trama central
tratava do amor entre pessoas de diferentes classes sociais. A novela trouxe Bruna Lombardi e Fábio Junior nos papeis principais.
Em 1986, escreveu “Corpo a Corpo”. Busca por ascensão social, sede de vingança e
discussão sobre racismo conduziam as tramas da novela. Débora Duarte e Antonio
Fagundes deram vida aos personagens principais do folhetim.
Quatro anos depois, Gilberto Braga escreveu,
ao lado de Aguinaldo Silva e Leonor Bassères, a novela “Vale Tudo”, um dos principais marcos da
história da teledramaturgia brasileira. Através da disputa entre uma mãe
honesta, vivida por Regina Duarte, e
sua filha mau-caráter, interpretada por Gloria
Pires, abordou a questão da integridade ética no Brasil, lançando mão da
crítica social e política. Foi “Vale
Tudo” a responsável por levar ao ar o mistério mais notório das telenovelas
até hoje: “quem matou Odete Roitman?”,
vilã da história interpretada por Beatriz
Segall.
Em 1992, Gilberto Braga foi convidado pela
Rede Globo a supervisionar o texto da novela “Lua Cheia de Amor”, de Ana
Maria Moretzsohn, Ricardo Linhares
e Maria Carmem Barbosa, para o
horário das 19h. Remake “Dona Xepa”,
do próprio Gilberto Braga, exibida
na TV Globo em 1979 – por sua vez inspirada na peça homônima escrita por Pedro Bloch.
Gilberto Braga escreveu, em 1993, “O Dono do Mundo”, novamente com a
colaboração de Leonor Bassères, além
de Ângela Carneiro e Ricardo Linhares (sendo esta a primeira
parceria entre os dois autores). Retomando a temática de “Vale Tudo”, o autor tratou em “O
Dono do Mundo” da questão da dignidade e da cidadania no Brasil
contemporâneo. Antonio Fagundes deu
vida ao neurocirurgião sedutor Felipe Barreto, e Malu Mader interpretou a mocinha Márcia.
Em 1996, Gilberto Braga manteve a crítica
social ao escrever “Pátria Minha”,
encerrando assim sua trilogia sobre corrupção no país (“Vale Tudo” e “O Dono do
Mundo”). Na novela, o autor também abordou a questão da discriminação
racial.
Depois de quatro anos afastado da televisão,
Gilberto Braga retomou em 2001 a produção de novelas com “Força de um Desejo”, que escreveu ao lado de Alcides Nogueira. Ambientada na segunda metade do século XIX, a
novela foi a primeira a abordar aspectos da cultura banto, de origem africana,
através do núcleo dos escravos. A trama foi inspirada em três romances do
visconde de Taunay: “A Retirada da
Laguna”, “Inocência” e “A Mocidade de Trajano”, trazendo Fábio Assunção, Malu Mader, Reginaldo Faria
e Sônia Braga nos papeis principais.
Também foi a primeira novela que Gilberto Braga escreveu fora do horário das
21h desde “Dona Xepa” (1979).
Em 2005, Braga escreveu outro grande sucesso,
retornando à faixa nobre: “Celebridade”
abordou temas como o jornalismo de celebridades, o alpinismo social e a busca
da fama. A trama tem como eixo central a rivalidade entre duas mulheres: a
bem-sucedida empresária e ex-modelo Maria Clara Diniz (Malu Mader), e a dissimulada e invejosa Laura Prudente da Costa (Cláudia Abreu), que se aproxima de
Maria Clara dizendo ser sua maior fã.
Quatro anos depois, Gilberto Braga voltou a
escrever novela das nove, iniciando sua parceria com Ricardo Linhares como autor titular. Em “Paraíso Tropical” (2009), os autores abordam alguns temas clássicos
dos folhetins como a cobiça e o amor, sob a ótica dos diversos extratos sociais
que convivem no bairro carioca de Copacabana. No elenco, Alessandra Negrini, que vive as gêmeas Paula e Thaís, Tony Ramos, no papel do empresário
Antenor Cavalcanti, Gloria Pires, Fábio Assunção, Wagner Moura, entre outros.
Da dupla de autores, veio também “Insensato Coração”, em 2013. Dessa vez,
a trama girava em torno das escolhas amorosas e dos conflitos familiares,
trazendo como conflito principal a história de dois irmãos: um invejoso, e que
se revela psicopata, e outro que encontrou o amor de sua vida. No elenco, além
do casal protagonista Pedro e Marina, vivido por Eriberto Leão e Paola
Oliveira, Gabriel Braga Nunes, Gloria Pires, Antonio Fagundes, entre outros.
Em 2014, Giberto supervisionou a novela “Lado a Lado”, de Claudia Lage e João Ximenes
Braga, que ganhou um Emmy Internacional. A trama girou em torno da sólida
amizade de Laura (Marjorie Estiano)
e Isabel (Camila Pitanga), duas
mulheres de classes sociais diferentes, que lutam por seus amores, desejos e
independência. A trama aborda os anseios e dificuldades enfrentadas por
mulheres em busca de um novo papel na sociedade, além de mostrar a afirmação
dos negros e de sua cultura no Brasil após o fim da escravidão.
Novelas de Gilberto Braga exibidas pela TV Globo
Novela
|
Estreia
|
Término
|
Cap.
|
Horário
|
Função
|
Corrida de
Ouro
|
28/06/1976
|
21/01/1977
|
179
|
19h
|
Autor principal
|
Helena
|
25/04/1977
|
20/05/1977
|
20
|
18h
|
Autor principal
|
Bravo!
|
13/06/1977
|
27/01/1978
|
197
|
19h
|
Autor (106 cap.)
|
Senhora
|
20/06/1977
|
07/10/1977
|
80
|
18h
|
Autor principal
|
Escrava Isaura
|
02/10/1978
|
26/01/1979
|
100
|
18h
|
Autor principal
|
Dona Xepa
|
21/05/1979
|
19/10/1979
|
132
|
18h
|
Autor principal
|
Dancin’ Days
|
07/07/1980
|
23/01/1981
|
173
|
21h
|
Autor principal
|
Água Viva
|
01/02/1982
|
06/08/1982
|
161
|
21h
|
Autor principal
|
Brilhante
|
26/09/1983
|
23/03/1984
|
155
|
21h
|
Autor principal
|
Louco Amor
|
22/04/1985
|
01/11/1985
|
167
|
21h
|
Autor principal
|
Corpo a Corpo
|
24/11/1986
|
19/06/1987
|
179
|
21h
|
Autor principal
|
Vale Tudo
|
14/05/1990
|
04/01/1991
|
204
|
21h
|
Autor principal
|
Lua Cheia de
Amor
|
30/11/1992
|
09/07/1993
|
191
|
19h
|
Supervisor
|
O Dono do Mundo
|
17/05/1993
|
31/12/1993
|
197
|
21h
|
Autor principal
|
Pátria Minha
|
15/07/1996
|
07/03/1997
|
203
|
21h
|
Autor principal
|
Força de um
Desejo
|
07/05/2001
|
25/01/2002
|
227
|
18h
|
Autor principal
|
Celebridade
|
10/10/2005
|
23/06/2006
|
221
|
21h
|
Autor principal
|
Paraíso Tropical
|
02/03/2009
|
25/09/2009
|
179
|
21h
|
Autor principal
|
Insensato
Coração
|
14/01/2013
|
16/08/2013
|
185
|
21h
|
Autor principal
|
Lado a Lado
|
08/09/2014
|
06/03/2015
|
154
|
18h
|
Supervisor
|
Março 2017
|
A estrear
|
21h
|
Autor principal
|
REPRISES
Dentro do “Vale a Pena Ver de Novo”, foram reprisadas três novelas de Gilberto
Braga.
“Vale
Tudo” (1990) foi o folhetim responsável por abrir a nova faixa em janeiro
de 2000. Em 2009, foi a vez de “Celebridade”
(2005) ganhar uma reapresentação. E em 2013, “Paraíso Tropical” (2009) retornou à programação da emissora.
Novela
|
Estreia
|
Término
|
Cap.
|
Horário
|
Função
|
Vale Tudo
|
03/01/2000
|
09/06/2000
|
137
|
16h
|
Autor principal
|
Celebridade
|
20/04/2009
|
09/10/2009
|
149
|
16h
|
Autor principal
|
Paraíso
Tropical
|
02/09/2013
|
17/01/2014
|
119
|
16h
|
Autor principal
|
GLOBO

Nenhum comentário:
Postar um comentário